Carmes e Ostras
O lançamento de parte substancial dos versos de um autor, ou seja, de uma obra quase completa, ainda para mais de um amigo do Sismógrafo – é um dos responsáveis da colecção Panorama, que tem vindo a reunir um artista e um poeta – deve ser assinalado com o devido destaque. “Carmes” (1971-2018), de Paulo da Costa Domingos, livro editado pela Companhia das Ilhas, é apresentado pelo próprio, numa sessão que irá ainda ser aproveitada para uma conversa com o autor, moderada por Óscar Faria, nome que há mais de 25 anos vem acompanhando o percurso do escritor agora celebrado.
Como diz Paulo da Costa Domingos no prefácio de Carmes, título cuja etimologia tem origem na palavra latina carmen (“canto, composição em verso”): “(…) Posso hoje afirmar sem rebuço que, à semelhança de Herculano rodeado de gente ignara e invejosa – certamente eu com muito menos verve mas idêntico o desgosto pelo mundo em que vivo –, ‘disputarei palmo a palmo a minha vida intelectual’.” São 576 páginas da mais viva poesia que hoje se pode encontrar no contexto nacional, uma história iniciada sob o signo de uma das figuras maiores da arte, Van Gogh, o da “Orelha sem mestre”. Tudo começa assim: “era um homem com um jaguar de cobalto no sangue/ uma melodia um homem: lia o seu livro, carmes de cobalto/ em fuga (…).”
A ocasião será ainda aproveitada para lançar “Ostras”, brochura editada este ano pela viúva frenesi, no qual se coligem documentos internos desta casa relativos à incidência cultural da publicação sucessiva, no catálogo da mesma, dos livros Subsídio, Suicídio, Ostras Geladas (anónimo, 1998), Uma «Bardamerda» de Edição. Breve Comentário Sobre um Dejecto Aparecido nas Livrarias (Paulo da Costa Domingos, 1999), Barbearia Tiqqun (Rui Baião, 2018), Romance Ardente (Manuel Fernando Gonçalves, 2018) e Sumo de Limão – Silva de Versos (Paulo da Costa Domingos, 2018). A publicação, com textos deste último e de Óscar Faria, entre outros, esteve prevista no âmbito da exposição evocativa dos 40 anos da frenesi na Biblioteca Nacional, mostra entretanto cancelada.
Carmes e Ostras
The launching of a substantial part of an author's verses, that is, of an almost complete work, let alone one by a friend of Sismógrafo – who is one of the persons in charge of the Panorama collection, which has been bringing together an artist and a poet – has to be highlighted. "Carmes" (1971-2018), by Paulo da Costa Domingos, a book edited by Companhia das Ilhas, is presented by himself, in a session in which it will also take place a conversation with the author, moderated by Óscar Faria, who has been following the writer now celebrated for more than 25 years.
As Paulo da Costa Domingos says in the foreword to Carmes, a title whose etymology originates from the Latin word carmen ("canto, composition in verse"): “(…) I can now say unreservedly that, like Herculano surrounded by ignorant and envious people - certainly with much less verve but identical displeasure for the world in which I live – I will fight my intellectual life inch by inch”. 576 pages of the most vivid poetry that can be found today in the national context, a story begun under the sign of one of the greatest figures of art, Van Gogh, the one of “Orelha sem mestre”. It all begins like this: "it was a man with a cobalt jaguar in his blood / a melody a man: he read his book, cobalt carmes/on the run (...)".
The occasion will also be used to launch "Ostras", a brochure edited this year by viúva frenesi, in which are collected internal documents of this house related to the cultural incidence of the successive publication, in its catalogue, of the following books: Subsídio, Suicídio, Ostras Geladas (anonymous, 1998), Uma «Bardamerda» de Edição. Breve Comentário Sobre um Dejecto Aparecido nas Livrarias (Paulo da Costa Domingos, 1999), Barbearia Tiqqun (Rui Baião, 2018), Romance Ardente (Manuel Fernando Gonçalves, 2018), and Sumo de Limão – Silva de Versos (Paulo da Costa Domingos, 2018). The publication, with texts by the latter and Óscar Faria, among others, was planned in the context of the evocative exhibition of the 40 years of frenesi in the National Library, a show in the meantime canceled.